sábado, 14 de fevereiro de 2009

DE MÃE PARA MÃE.....



















Li no Blogue Oficina de Palavras
Recebi por e-mail de um amigo

"Vi seu enérgico protesto diante das câmaras de televisão contra a
transferência do seu filho, menor infrator, das dependências da FEBEM em São Paulo para outra dependência da FEBEM no interior do Estado.
Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu filho,
das dificuldades e das despesas que passou a ter para visitá-lo, bem como de outros inconvenientes decorrentes daquela transferência.
Vi também toda a cobertura que a mídia deu para o fato, assim como vi que não só você, mas igualmente outras mães na mesma situação que você, contam com o apoio de Comissões Pastorais, Órgãos e Entidades de Defesa de Direitos Humanos, ONGs, etc... Eu também sou mãe e, assim, bem posso compreender o seu protesto. Quero com ele fazer coro. Enorme é a distância que me separa do meu filho. Trabalhando e ganhando pouco, idênticas são as dificuldades e as despesas que tenho para visitá-lo.
Com muito sacrifício, só posso fazê-lo aos domingos porque labuto, inclusive aos sábados, para auxiliar no sustento e educação do resto da família. Felizmente conto com o meu inseparável companheiro, que desempenha, para mim, importante papel de amigo e conselheiro espiritual.
Se você ainda não sabe, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou estupidamente num assalto a uma vídeo locadora, onde ele, meu filho, trabalhava durante o dia para pagar os estudos à noite. No próximo domingo, quando você estiver abraçando, beijando e fazendo carícias no seu filho, eu estarei visitando o meu e depositando flores no seu humilde túmulo, num cemitério da periferia de São Paulo...
Ah! Ia me esquecendo: e também ganhando pouco e sustentando a casa, pode ficar tranquila, viu? que eu estarei pagando de novo, o colchão que seu querido filho queimou lá na última rebelião da Febem. No cemitério, nem na minha casa, NUNCA apareceu nenhum representante destas 'Entidades' que tanto lhe confortam, para me dar uma palavra de conforto, e talvez me indicar 'Os meus direitos' !

Faça circular este manifesto! Talvez a gente consiga acabar com esta (falta de vergonha na cara) inversão de valores que assola o Brasil.
e eu Fatyly acrescentaria Portugal e muitos mais países!

Direitos humanos são para humanos direitos !!
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Recebi o texto acima de um amigo que me pediu para circular porque ficou indignado. Preocupam-se com os direitos humanos do assassino, mas e os da vítima...?
Quero no entanto acrescentar que não se pode deixar de - pelo menos tentar - estar no lugar de cada uma dessas mães.
É um texto para reflexão.

13 comentários:

  1. Também recebi há tempos este email e é um dos muitos onde os direitos humanos são "esquerdos" humanos.
    Há uma inversão de valores.
    Beijocas

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  2. Devido ao teu comentário e ao de Peciscas acrescentei uma frase ao final do texto. Realmente há que se tentar colocar no lugar de cada uma das mães. Mas que os direitos humanos dos assassinos são mais valorizados do que os direitos humanos das vítimas, lá isso é verdade. Portanto,há uma total inversão de valores.

    Um forte abraço pra ti.

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  3. Querida Fatyly

    encontro-me longe, muito longe, nas ilhas maldivas.

    porque tenho saudades tuas venho deixar-TE um beijo enorme!

    E por aqui tambem existem cubatas.

    E por aqui o paraiso existe mesmo.

    Brevemente regresso.

    ate ja

    [desculpa a falta de acentuacao em portugues, inexistente neste computador]

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  4. Wind
    Há de facto uma inversão de valores, mas temos que nos pôr no lugar de ambas e ouvir como eu já ouvi: prefiro ver o meu filho morto do que continuar na escalada da droga versus criminalidade.
    Sabemos que para quem perde um filho nestes casos, a justiça demora anos e ajudas psicológicas é o que se sabe.
    Na cadeia, 99,9% saem ainda pior e depois a "ocupação" seria a chave de ouro, mas não existe nada disso!

    Odele
    Já acrescentei aqui a frase que puseste no final do texto.
    Conforme disse à Wind há que sentir os dois lugares.
    Sim, é uma realidade a total inversão dos valores, mas presos que politicas existem para a sua reabilitação? A droga e armas continuam a proliferar nas cadeias. Inclusivé um programa, não apenas aqueles minutos de julgamento, mas que os ponha "frente a frente" perante "os familiares da vitima" para que sintam o que fizeram.
    Pois é...a maioria nem sequer se lembra do que fez...tal era a dose da maldita droga, excepto os poucos que o fazem por psicopatias!
    Casos terríveis para ambas as mães, mas o filho que partiu não poderá dizer da sua justiça. Duro!!!

    Mfc
    e há tantos e tantos momentos "duros"...caramba!!!

    Beijocas e tenham um bom domingo

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  5. Paulo
    Nas Maldivas??????? oh rapaz goza bem e trás um bocadinho de calor, uma cubata e aiiiiii um pedacinho desse mar que sendo tropical é tudo igual à minha santa terrinha:)

    Bom regresso.

    Beijos

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  6. Sou mãe. Impossível ficar indiferente.
    Invertem-se os valores, sim, a todo o momento, agora, neste instante em que escrevo.
    Quanto pesar, quanta dor a daquela mãe, tão só, pousando flores no túmulo!... Não posso imaginar um milésimo do que ela sente...Não há justiça que lhe traga o filho de volta, e, no entanto, quanta a integridade a dela naquele saber ser Tão Mãe, Tão Mulher e ser capaz de falar da dor que sente...
    Não sei do que sou capaz, não sei se o faria.
    Depois, tento colocar-me no lugar da mãe do que tirou a vida... Apesar de tudo é mãe, também. E não deixa de amar o filho, de tentar por tudo que se dê conta do que fez.
    Sabemos do que se passa nos estabelecimentos prisionais. Sabemos dos abusos, que eles são fomentados pelos próprios guardas, lá dentro, a troco de chantagem...
    Para pensar, mesmo, em tudo isto que passa ao nosso lado.
    Pela minha forma de ser, do que me conheço, estou ao lado da mãe que perde para sempre, da que não vai ter nunca o filho de volta... já que a outra, apesar de tudo, tem a realidade de que pode ver o filho.

    Há um livro: "Puta de Prisão" da Isabel do Carmo e da Fernanda Fráguas, que, ainda que não tenha a ver com este caso, relata a vida de prostitutas de rua, prisioneiras em Custóias.
    Foi escrito em 2003, salvo erro, mas, mantém-se actual.
    São relatos, são testemunhos da ausência de direitos... vividos e relatados por elas.

    Pela tua atenção sobre este assunto, teu, da Odele, a minha admiração, o meu apreço.

    Beijo às duas.

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  7. É só para avisar que tens desafio chez moi. :)

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  8. Maria arvore
    Já fui e já respondi :):):)

    Beijocas

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  9. Direitos Humanos...tão aviltados.Alertar e falar e gritar ...é o que podemos fazer.Quem sabe um dia as futuras gerações possam se beneficiar de nossos erros....Esperemos que sim...beijos querida.

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  10. Vi
    subscrevo as tuas palavras.

    Beijos e obrigado pela tua presença

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  11. a minha primeira resposta seria assim a quente e diria à mãe do assassino que o filho tem o que merece e que perde os direitos todos assim que resolveu tirar a vida a outrém. De seguida lembro-me que a mãe do assassino não é culpada do crime do filho e o seu coração ama-o do mesmo modo..

    mais palavras para quê, são as duas faces da moeda..

    nem sei

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  12. M.
    é verdade o que dizes e uma mãe ama o maior criminoso do mundo pelo simples de facto de ser seu filho.
    Há que ver as duas faces e os governos lutarem pela reabilitação dos presos e que as cadeias deixem de ser "escolas de mais violência".

    Beijos e obrigado

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