vou ficar com a netas, das 8h às 20/21h.- Bó não vamos à praia nem sair, queremos ficar em casa e diz à mana para não me acordar que eu quero dormir até mais tarde. (5 anos)
- Vóvó podemos ir andar de bicicleta, como a correres não nos apanhas porque já és velhota, levas a bicicleta da mamã, não... a do papá. Pensando melhor não, ficamos a brincar no quintal não vás cair, partires os óculos e depois não nos vês!(8 anos)
- Mamã, a avó nas férias vai dormir cá? Não, ela não quer e vai dormir a casa dela, mas porquê? É que agora quando nos vai buscar à escola toma banho depois de nós e antes de jantarmos e veste outra roupa. Podíamos esconder a roupa e púnhamos um pijama teu e assim ela já não ia para casa. (8 anos)
- Avó queremos comer o que fazes porque não pões o capim que a mãe põe, nem o milho buáác. Capim? Sim, pera vou buscar, isto...(5 anos)
- Bebé já te ensinei mil vezes, ora lê lá comigo...er-vas-a-ro-má-ti-cas. Burra! (8 anos)
- Burra és tu neste está escrito isso? Não está pois não? É A-le-crim! Toma lá mandona! (5 anos)
- Vamos saltar à corda? Sim! Cantar e dançar?! Sim! Nadar na piscina (plástico)? Sim! Correr e fazer BTT no quintal? Sim! Jogar à bola ou basquetebol? Sim! Na hora de mais calor fazer desenhos ou jogar um jogo? Sim! Se não nos apetecer comer a sopa, deixas? Sim! Irmos dar de comer aos patos ali em baixo? Sim!
Bóooooooooo tu estás doente? Eu? Não, mas porquê? é que dizes sim a tudo.
Digo sim quando não tiver que dizer um não, ou por-vos de castigo se desobedecerem ou baterem-se uma à outra. Mais, como venho cedo, antes de irem brincar para o quintal o quarto tem ficar arrumado e não quero coisas espalhadas pelo chão, não vá eu tropeçar e partir uma perna. Ok?
Ok chefe, afinal estás boa, que susto que apanhamos!
Hummmmm avó vai ser tão bom, gostamos muito de ti (as duas)
- e cheiras sempre tão bemmmmmmmm, cheirinho de Bó querida! (5 anos)
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Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo...
Corro o lápis em torno
Da mão e me dou uma luva
E se faço chover
Com dois riscos
Tenho um guarda-chuva...
Se um pinguinho de tinta
Cai num pedacinho
Azul do papel
Num instante imagino
Uma linda gaivota
A voar no céu...
(...)
E o futuro é uma astro-nave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença
Muda a nossa vida
E depois convida
A rir ou chorar...
Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela
Que um dia enfim
Descolorirá...
(...)
(Aquarela de Toquinho)