Já assisti a situações tão ridículas que por vezes fico espantada e hoje conto apenas:
1- Há dois ou três anos fui para a minha Praia Grande e como detesto "tralha", levei um saco com uma garrafa de água, uma caixa com 4 peças de fruta e a toalha ao ombro e documentos em local que não digo. Nunca usei besunto (os dermatologistas que não me oiçam) porque lá usava Coca-Cola, mas cá como fico das 7h ao meio dia, ou das 18h às 20h não preciso. Gosto de me sentar (raramente me deito) mesmo quase perto do mar, portanto na areia molhada onde ando sempre num vai-vem e nunca no areal seco e levar com resmas de areia de crianças (que não digo nada) e das boladas de "candidatos-a-adultos-metido-à-besta", com estes refilo. Às tantas vejo vir uma famelga de "estranjas", com uma tralha dantesca e pensei logo...portugueses armados em finórios. Um cagaçal de primeira e sempre em francês. Como atraio melgas, um garoto de 5 anitos veio e sentou-se na outra ponta da minha toalha bem velhinha (tem estampado um golfinho enorme) e de costas para mim. A mãe e outros em altos gritos, quando estávamos a dois passos e com a praia quase vazia berraram várias vezes: "Vien ici Michael". E o garoto nada. Virei-me e disse-lhe...vai lá olha que ainda levas da tua mãe. O puto não ligou e continuou sentado na cabeça do golfinho todo feliz. Depois oiço: anda cá cabrão e filho de uma grande puta tu não ouves? Caíram-me os tomates e não os tenho e o "verniz" de todos caiu por terra e quem ouviu fartou-se de rir.
O miúdo não está a incomodar-me, mas com a praia quase vazia também poderiam ter ficado mais longe o que desejo quando oiço pessoas do género.
2- Há dias estacionou aqui mesmo debaixo da minha janela um mono volume XPTO de matrícula estrangeira. Saiu uma senhora com duas crianças e ficou o condutor que falava consigo próprio...e começo a ver que despejava moedas de centimos para o chão e dizia só deixam "pretos" aqui. Peguei num saco, desci e disse-lhe tome lá e não se enerve. Mas eu não quero nada disto, então se o senhor não quer eu levo, agora para o chão jamais, mas olhe que é dinheiro. Só gosto de notas grandes. Ok...Apanhei as do chão e ele deitou as restantes no saco e ficou mais leve. Agradeci e subi.
Contei e tinha 10,50€ e para mim os "pretos" uma vez mais foram amigáveis e foi como se tivesse jogado no euro-milhões.
Voltei à janela e já o carro estava a arrancar, cheio de bagagem até não caber uma agulha.
3- Sentada no aeroporto da Portela em Lisboa e enquanto espero, aprecio quem parte e quem chega e como é notório diferenciar quem é português, porque 90% LEVAM A CASA ÀS COSTAS. O mesmo se vê nos automóveis que fico espantada como conseguem conduzir, porque o carro por vezes até vai de lado e o condutor sem qualquer visibilidade excepto pelos retrovisores laterais!
4- Todo o cuidado é pouco e fico incomodada quando deixam à vista, dentro dos carros, no carrinho do super mercado, em cafés e até no areal praia... carteiras, porta-moedas, telemóveis e mais um infindável material. Não custa nada terem precauções, e sobretudo na praia deixarem tudo debaixo de um montão de toalhas ou toalha e pedir à pessoa mais próxima para deitar um olho se estiverem sós e se forem muitos alguém que fique de guarda porque o larápio que se passeia constantemente, quando rouba é que fica a sorrir!
Eu de facto cada vez mais me sinto menos portuguesa e quando saio é com o mínimo dos mínimos e para a praia a maioria das vezes nem documentos levo! Já parei numa operação stop e disse que iria à esquadra X apresentar porque eles estavam bem próximos:)