Ontem vi a grande reportagem da SIC “O Amor não mata”.
A APAV não consegue dar apoio a todos que sofrem de violência doméstica, porque eu própria fui com uma vizinha da minha mãe e a sua filha e apoios? ZERO! Já para não falar da imensa burocracia. Foi há uns anos e felizmente que o “gajo nojento” morreu com um AVC! Caso contrário não sei no que daria!
A sociedade peca, as instituições pecam, os envolvidos sofrem, os educandos pecam e quem peca mais é precisamente a JUSTIÇA com as penas que aplica e a sua já famosa lentidão!
Não se mudam mentalidades de um dia para o outro. Não há “campanhas” via televisão que surtam qualquer efeito se existirem novelas ou futebol à mesma hora. Não deveria haver guerras de audiências, mas combinarem entre elas e todas juntas “malharem "ao mesmo tempo"com essa mensagem até à exaustão”.
Voltando à reportagem onde falaram várias mulheres e um homem, todos vítimas de violência. Quem é vitima é que fica refém de “abrigos” e os agressores ou agressoras andam a fazer a sua vida como se nada tivesse acontecido. Um jogo de pingue-pongue em que dá vontade de fazer “justiça pelas próprias mãos”, tal como a idosa o fez, foi presa mas disse: salvei-me, mas acima de tudo salvei os meus filhos.
Deve ser terrível ter de viver “escondida(o)” e em “abrigos”. Não digo que sejam maus, mas para mim não passam de prisões, pensões onde por vezes passam vários anos e a maioria com filhos que crescem com “os seus fantasmas” onde questionam o porquê do porquê. Claro que é uma saída do “mundo do horror”, mas volto a afirmar o contra-censo de o gajo(a) agressor continua a fazer a sua vida em liberdade.
Lidei com imensos casos de violência doméstica. Eu própria fui vitima dessa violência, não física mas psicológica, onde viramos objecto, apenas objecto. Não havia as ajudas “técnicas” que há hoje. Não era crime público e havia sim a pena máxima: Uma vergonha para a família, que deves pensar nas filhas num blá blá dantesco.
Tive todo o apoio dos meus pais e de alguns irmãos, mas houve quem falasse mal. A família dele foi o que foi! Não dei ouvidos e pus um ponto final irreversível porque sempre tive dois neurónios que funcionaram muito bem em todas minhas decisões drásticas. Mas melhor do que isso foi o apoio incondicional de alguns colegas de trabalho e do meu grupo diário do comboio.
Fácil? Não e só quem passa por elas é que sabe! Foi um divórcio pacífico e de comum acordo, porque assim o exige e consegui!
Não saí daqui e muito menos deixar as minhas filhas. Falei muito com elas, sempre e sempre, uma com 16 anos e a outra com 10 anos, idades e ou fases do armário. Jamais disse mal do pai e ou as pus contra ele. O único bem que tínhamos - as filhas - sempre esteve com elas quando e como desejava. Se sofri? Claro que sim, o medo por vezes era demasiado "cusco"!
Uma coisa restou: a mais velha fala muito do pai, a mais nova fala apenas e tão só do avô (o meu pai).
Quando nos juntamos falamos de muita coisa e por vezes da “violência doméstica” . Não me meto na vida deles, não opino nada mas todos sabem qual seria a minha atitude se houvesse agressões, quer por parte deles, quer por parte delas.
Por experiência digo apenas: nada resulta se não for a própria vitima, com ajudas ou sem elas, a dizer BASTA e a pôr um PONTO FINAL e que a justiça de uma vez por todas penalize “sem dó nem piedade” o agressor ou agressora!
Termino deixando “um enorme abraço de solidariedade e carinho” a todas as vítimas e sobretudo aos pais e familiares que perderam os seus filhos às mãos de “bestas humanas”!
A sociedade, os familiares, os amigos devem DENUNCIAR SEM MEDOS! Se não o fizermos seremos todos cúmplices, porque depois de "casa arrombada as trancas numa porta não dão resultado algum". Com isso poder-se-à poupar vidas, sobretudo dos elos mais fracos: as crianças!
Mas também nunca esquecer a violência doméstica praticada sobre os mais velhos e na maioria das vezes pelos próprios filhos!