quinta-feira, 18 de maio de 2017

ANTÓNIO ALEIXO



Co'o mundo pouco te importas
porque julgas ver direito.
Como há-de ver coisas tortas
quem só vê o seu proveito?

De vender a sorte grande,
confesso, não tenho pena;
que a roda ande ou desande
eu tenho sempre a pequena.

És feliz, vives na alta
e eu de ratos como a cobra.
Porquê? Porque tens de sobra
o pão que a tantos faz falta.

Quem nada tem, nada come;
e ao pé de quem tem comer,
se disser que tem fome,
comete um crime, sem querer.

Eu não tenho vistas largas
nem grande sabedoria,
mas dão-me as horas amargas
Lições de Filosofia.

Que importa perder a vida
em luta contra a traição,
se a razão, mesmo vencida
não deixa de ser Razão.

Embora os meus olhos sejam
os mais pequenos do Mundo,
o que importa é que eles vejam
o que os homens são no fundo.

António Aleixo

12 comentários:

  1. Grande poeta que só escrevia verdade!
    Beijocas

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    1. Tal e qual e verdades que até doem e deixam mossa:)

      Beijocas e obrigado

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  2. Ah, poeta...e eu que, lamentavelmente, não herdei os dons do meu avô para fazer "décimas"!

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    1. Mas se tentares verás serás um magnífico herdeiro do teu avô.

      Beijocas e obrigado

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  3. O poeta do povo que nos encanta com a sua simples e linda poesia.
    Beijocas, bfds

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    1. Concordo e tem poemas fantásticos.

      Beijocas e obrigado

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  4. Bom dia Fatyly, será que podia entrar em contacto consigo por e-mail ou por outro meio que considere adequado?
    Obrigada
    Maria

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    1. Peço imensa desculpa mas neste mundo de cabos não dou contactos. Quem os tem são apenas familiares e poucos mas bons amigos. Desejo que compreenda! Obrigado eu!

      Beijocas e obrigado

      Beijocas e obrigado

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  5. António Aleixo, como muitos outros, nasceu no tempo errado. Mas o perfume do seu talento é de tal forma que continua a perdurar, a perdurar, imortalizando uma figura sui-generis.

    Um beijinho, Fatyly :)

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    1. Volta e meia vou reler a sua obra e há sempre algo que descubro! É mesmo o que tu dizes:)

      Beijocas e obrigado

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