quarta-feira, 13 de agosto de 2014

CRÓNICAS DA PRAIA - Encontrei o Tuga

CRÓNICAS DA PRAIA - Encontrei o Tuga

Hoje na praia encontrei o Tuga, ou melhor, um exemplar do Tuga, uma espécie característica do nosso habitat. No encontro de hoje na praia tratava-se de um adulto, acompanhado da mulher e dos filhos, ainda crianças pequenas.
O Tuga, braços tatuados e cabelo curtinho, chega ao areal equipado com uma camisola de alças vermelha, com o emblema do glorioso e com uns calções amarelos e verdes compridos, quase a tocar nas havaianas brancas. Carrega o chapéu de sol, uma geleira e ainda consegue rebocar um dos filhos. Traz um boné de pala e em cima desta poisam uns óculos escuros.
A tribo do Tuga poisou logo bem encostadinha às pessoas que já estão na praia, o Tuga não gosta de estar sozinho. Espetado o chapéu de sol, os miúdos são besuntados com creme protector pela mãe Tuga, enquanto o pai arruma a geleira debaixo do chapéu e em voz bem alta avisa-os para se portarem bem senão volta tudo para casa.
Em seguida pega numa bola e com um pontapé atira-a para longe dizendo aos miúdos para irem jogar e terem cuidado com as pessoas. A bola atirada pelo Tuga tinha, entretanto, acertado num velhote que passeava no sítio errado.
Com o olho nos putos o Tuga senta-se a ler o Record e puxa de um cigarro cuja cinza vai sendo depositada na areia.
Passado pouco tempo os putos aparecem, um deles a chorar porque o outro lhe tinha batido. Aí o Tuga, senta o mal comportado na toalha, acende mais um cigarro, põe os óculos na cabeça, como sabem os Tugas não usam os óculos nos olhos, é na testa ou na cabeça, e vai ele jogar com o irmão.
Dois minutos depois volta e diz para a família ir ao banho. Ouvem-se uns protestos da mãe Tuga, mas a voz alta do pai Tuga é persuasiva e vai tudo para a água.
Quando voltam, a protestar pela frieza da água, juntam-se à volta da geleira donde emergem umas "sandes" para todos, colas para os miúdos, sumo para a mãe e uma mini para o Tuga.
Durante o lanche surge uma discussão sobre a que horas sairiam da praia a que o Tuga, sempre em alta voz, pôs termo dizendo que sairão à hora que ele disser. Esta cena foi-se desenrolando acompanhada de vários telefonemas do Tuga por causa de um problema com a bomba de água do carro de que boa parte da praia ficou ao corrente.
Aquietado o estômago, o Tuga e a família deitam-se nas toalhas e ele volta ao Record e a mais um cigarro, cuja beata irá fazer companhia às anteriores no areal da praia.
Mais não pude perceber porque a minha praia acaba cedo. É sempre um prazer encontrar o Tuga.

do blogue "Atenta Inquietude" - 30 de Julho de 2010

Fujo destes cenários que continuam inalteráveis

17 comentários:

  1. Já vi muitos tugas destes, mas cheira-me que muitos deles seja menos tugas do que se pensa, ou seja são imigrantes, mas mesmo os que são aqui do burgo por muito que nos custe são realidades que vemos muitas vezes, e que não devíamos, digo eu criticar afinal fomos educados para sermos assim.


    beijinhos amiga...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Por serem imigrantes deixam de ser "tugas"? Claro que não e o que constato é que o "tuga" adulto continua a formar/educar "tuguinhas" porque não evoluem. Se assim não fosse, também deveriam levar o garrafão do tintol e a panela da caldeirada, o cão, o gato e o periquito:) o que foi desaparecendo com o tempo, ou seja...educação e civismo, precisa-se e muito não só na praia como em todo o lugar por respeito aos outros!
      Mais, em todas as praias existem cinzeiros para quem fuma, além de os gamarem (não vejo outra utilidade àquela coisa) deitam tudo para o chão/areia.
      Deixam os putos à vontade e depois dá uma trabalheira levantar e ir perto deles para os chamarem? Não, berram do sitio onde estão:)

      Adorei o texto porque é a realidade das praias portuguesas quando apinhadas de gente e julgo que actualmente é mais para se exibirem, sejam homens, sejam mulheres. Eu hem?

      Beijocas e obrigado


      Eliminar
  2. Não comento os outros blogues, a não ser nos sítios próprios.
    Sorry.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Desculpa aceite e compreendo.

      Beijocas e obrigado

      Eliminar
  3. Gargalhadas, é mesmo assim e é horrível:)
    Beijocas

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É isso mesmo, horrível é a palavra certa:):)

      Beijocas e obrigado

      Eliminar
  4. Muito, muito bom. O autor do texto, Zé Morgado, escreve muito bem, gosto bastante de o ler. Não é à toa que o tenho na lateral do meu blogue. Posso por vezes discordar de alguns textos, mas isso não é razão suficiente para não gostar de o ler. Este testo do tuga está perfeito. Com todos os ingredientes necessários e nas doses certas. Delicioso.

    Fiquei meio abananada (passo a expressão) quando um dia o autor entrou no meu blogue e comentou. Com certeza que o texto era dele, e, faço questão, como a Fatyly sabe, de levar até ao meu espaço textos de outros bloggers só porque me agradaram. Tudo com links directos para o blogue e para o texto, mas o que não fazia ideia era que o autor lesse algumas linhas que escrevo. Foi uma agradável surpresa, confesso.

    Tenha uma boa noite, Fatyy :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sim é verdade também já o leio há uns tempos. Também o tenho na barra lateral mas é raro deixar lá um comentário. Sempre que trago para aqui algo, salvaguardo sempre os direitos de autor.
      Escreve bem, muito bem e claro que também discordo de algumas coisitas, mas tenho aprendendo muito. É sucinto o que eu não o sou de todo e como tal gosto imenso.

      Beijocas e obrigado

      Eliminar
  5. Não concordo. O verdadeiro tuga está, por esta altura, no Algarve. Vai de férias com a mulher e a prole, mais o pai, a mãe, os sogros e os cunhados com a respectiva descendência. Doze a vinte pessoas alojadas no T1 do primo de uma amigo, Durante o dia lê "O Jogo" ou o "Jornal de Noticias", reclama quando não há "Superbock", fala todos aos berros e diz palavrões atrás uns dos outros. Como aquela tuga toda boa que, referindo-se à temperatura da água da praia, me dizia: "Foud***, está mesmo boa, car****" (Estava a confundir-me com outra pessoa qualquer, evidentemente)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Gargalhadas:):) ma um acréscimo ao retrato fiel de muitos...tugas:):):)

      Beijocas e obrigado

      Eliminar
  6. Respostas
    1. Um mimo verdadeiro e sempre actual:):)

      Beijocas e obrigado

      Eliminar
  7. O tuga típico teria bigode, unhaca e pança. Mas compreendo os sinais dos tempos: infelizmente agora muita gente anda com a parva moda das tatuagens. Que nojo, digo-te.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. e falta acrescentares de "tanga":):)
      Também não gosto de tatuagens nem piercing, mas sinceramente não me mete nojo, apenas acho que é dar cabo da pele.

      Beijocas e obrigado

      Eliminar
  8. Eheheheh

    A tipica familia que se encontra na praia principalmente em Agosto:))) e de fugir do pe deles:)

    Um mimo!!!
    beijocas

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É isso mesmo...é de fugir:):):):)

      Beijocas e obrigado

      Eliminar