UMA NOVA CUBATA
sábado, 25 de abril de 2026
quinta-feira, 23 de abril de 2026
sábado, 18 de abril de 2026
domingo, 12 de abril de 2026
No 52...já ninguém mora !"
Eu sentia que havia algo de anormal contigo, apesar de todos que te rodeavam dizer que eram coisas da minha cabeça.
Não, não era e pus-me a caminho onde as portas foram abertas. Depois de seis longas horas bem penosas, rodeada por oito médicos, ironicamente 52 vezes picada teria que aguardar pelo veredicto: se o que tinha sido descoberto fosse através do sangue, não haveria nada a fazer, se fosse através das urinas teríamos mulher.
Eras tão pequenina, tão indefesa e na saída sentei-me no último degrau de uma escadaria sem fim. Chorei e as minhas lágrimas molharam o teu rosto acalmando o teu gemer já que os teus bracinhos e calcanhares ficaram numa lástima!
Apesar de não ter dormido durante quatro dias e quatro noites e agarrada à esperança de que tudo iria dar certo, esperava o alô dos vários contactos que dei. Trabalhei o dobro porque é no trabalho que carrego baterias.
Ainda hoje é tão nítido o teu olhar meu amigo: Fatyly telefone...é para ti mulher e ainda hoje sinto o teu abraço por trás enquanto ouvia a frase mais bela que ouvi: venha amanhã de manhã, porque vamos ter MULHER! Desliguei, rodei e foi no teu peito que dei vazão a tanta dor sufocada e em peso a secção, advogados e directores envolveram-me numa bola humana!
A família emudeceu porque viram que eu tinha tido razão. Os meus pais foram os únicos que estiveram sempre presentes. Para os exames e vistorias estava no hospital às 6 da manhã e o meu pai era quem ia buscar a neta ao Rossio e a trazia para o infantário.
Da boca do pai nunca ouvi uma palavra amiga ou de força, nunca me acompanhou ao hospital, talvez tenha sido a forma que encontrou para o seu sofrimento interior. Nunca soube!
Mas para ela ainda hoje o avô é recordado como o pai presente mas ausente que teve.
Nunca faltei, mas se entrasse depois das onze, perdia o direito ao subsídio de almoço. Ao meu chefe (já falecido) devo os 15 ou 20 minutos que chegava atrasada.
Foram doze anos bem penosos onde a maioria dos exames eram feitos bem perto do hospital, ironicamente no nº. 52.
Tudo foi ultrapassado porque eu venci, tu venceste, eles venceram.
Hoje, apesar de "baixinha" és linda e a segunda flor mais bela do meu jardim! És o amor do teu amor que é tão alto como alto é o teu sentido de simplicidade ao enfratares a vida.
Voltei à rua que tantas vezes foi molhada por lágrimas e parei naquela porta que tão bem conhecia e com a mão pousada na mesma não me contive e chorei de olhos postos sei lá onde.
Senti uma mão no meu ombro...desculpe minha senhora...no 52... já ninguém mora!
(Escrevo sempre na primeira pessoa e este caso real foi-me muito difícil porque as lágrimas caiam pela cara abaixo e mal via as teclas. Levantei-me várias vezes para respirar fundo.
Um dias destes irei ter com o chefe da equipe que salvou a minha filha e trazer o enorme dossier que está guardado para mim)
de Fatyly Junho /2008
Hoje está casada e deu-me um neto e uma neta!
segunda-feira, 6 de abril de 2026
NAMORO
Mandei-lhe uma carta em papel perfumado e com letra bonita eu disse ela tinha um
sorrir luminoso tão quente e gaiato como o sol de Novembro brincando de artista
nas acácias floridas espalhando diamantes na fímbria do mar e dando calor ao
sumo das mangas Sua pele macia - era sumaúma... Sua pele macia, da cor do jambo,
cheirando a rosas sua pele macia guardava as doçuras do corpo rijo tão rijo e
tão doce - como o maboque... Seus seios, laranjas - laranjas do Loje seus
dentes... - marfim... Mandei-lhe essa carta e ela disse que não. Mandei-lhe um
cartão que o amigo Maninho tipografou: "Por ti sofre o meu coração" Num canto -
SIM, noutro canto - NÃO E ela o canto do NÃO dobrou Mandei-lhe um recado pela
Zefa do Sete pedindo, rogando de joelhos no chão pela Senhora do Cabo, pela
Santa Ifigenia, me desse a ventura do seu namoro... E ela disse que não. Levei à
Avó Chica, quimbanda de fama a areia da marca que o seu pé deixou para que
fizesse um feitiço forte e seguro que nela nascesse um amor como o meu... E o
feitiço falhou. Esperei-a de tarde, à porta da fábrica, ofertei-lhe um colar e
um anel e um broche, paguei-lhe doces na calçada da Missão, ficamos num banco do
largo da Estátua, afaguei-lhe as mãos... falei-lhe de amor... e ela disse que
não. Andei barbudo, sujo e descalço, como um mona-ngamba. Procuraram por mim
"-Não viu...(ai, não viu...?) não viu Benjamim?" E perdido me deram no morro da
Samba. Para me distrair levaram-me ao baile do Sô Januario mas ela lá estava num
canto a rir contando o meu caso as moças mais lindas do Bairro Operário. Tocaram
uma rumba - dancei com ela e num passo maluco voamos na sala qual uma estrela
riscando o céu! E a malta gritou: "Aí Benjamim !" Olhei-a nos olhos - sorriu
para mim pedi-lhe um beijo - e ela disse que sim.
Viriato da Cruz (Porto
Amboim-Angola) de Fatyly
sexta-feira, 27 de março de 2026
VIDA BEM DURA
Já não me lembro da última vez que fui comer fora
Já não me lembro da última vez que comprei roupa
uns brincos, uns sapatos, uma carteira
Já não me lembro da última vez que fui ao cinema
revista, teatro, concerto,
Já não me lembro da última vez que fui...
mas espera lá...
lembro-me apenas
que tenho sido muito feliz!
de Fatyly
terça-feira, 24 de março de 2026
MÁGICO
Do alto da falésia a minha alma voa e mergulha nas águas límpidas de um mar
de esperança debruado com rendas de magia. Aconchego-me e adormeço embalada
num sonho feito de um sorriso!
FATYLY
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