UMA NOVA CUBATA
domingo, 12 de abril de 2026
No 52...já ninguém mora !"
Eu sentia que havia algo de anormal contigo, apesar de todos que te rodeavam dizer que eram coisas da minha cabeça.
Não, não era e pus-me a caminho onde as portas foram abertas. Depois de seis longas horas bem penosas, rodeada por oito médicos, ironicamente 52 vezes picada teria que aguardar pelo veredicto: se o que tinha sido descoberto fosse através do sangue, não haveria nada a fazer, se fosse através das urinas teríamos mulher.
Eras tão pequenina, tão indefesa e na saída sentei-me no último degrau de uma escadaria sem fim. Chorei e as minhas lágrimas molharam o teu rosto acalmando o teu gemer já que os teus bracinhos e calcanhares ficaram numa lástima!
Apesar de não ter dormido durante quatro dias e quatro noites e agarrada à esperança de que tudo iria dar certo, esperava o alô dos vários contactos que dei. Trabalhei o dobro porque é no trabalho que carrego baterias.
Ainda hoje é tão nítido o teu olhar meu amigo: Fatyly telefone...é para ti mulher e ainda hoje sinto o teu abraço por trás enquanto ouvia a frase mais bela que ouvi: venha amanhã de manhã, porque vamos ter MULHER! Desliguei, rodei e foi no teu peito que dei vazão a tanta dor sufocada e em peso a secção, advogados e directores envolveram-me numa bola humana!
A família emudeceu porque viram que eu tinha tido razão. Os meus pais foram os únicos que estiveram sempre presentes. Para os exames e vistorias estava no hospital às 6 da manhã e o meu pai era quem ia buscar a neta ao Rossio e a trazia para o infantário.
Da boca do pai nunca ouvi uma palavra amiga ou de força, nunca me acompanhou ao hospital, talvez tenha sido a forma que encontrou para o seu sofrimento interior. Nunca soube!
Mas para ela ainda hoje o avô é recordado como o pai presente mas ausente que teve.
Nunca faltei, mas se entrasse depois das onze, perdia o direito ao subsídio de almoço. Ao meu chefe (já falecido) devo os 15 ou 20 minutos que chegava atrasada.
Foram doze anos bem penosos onde a maioria dos exames eram feitos bem perto do hospital, ironicamente no nº. 52.
Tudo foi ultrapassado porque eu venci, tu venceste, eles venceram.
Hoje, apesar de "baixinha" és linda e a segunda flor mais bela do meu jardim! És o amor do teu amor que é tão alto como alto é o teu sentido de simplicidade ao enfratares a vida.
Voltei à rua que tantas vezes foi molhada por lágrimas e parei naquela porta que tão bem conhecia e com a mão pousada na mesma não me contive e chorei de olhos postos sei lá onde.
Senti uma mão no meu ombro...desculpe minha senhora...no 52... já ninguém mora!
(Escrevo sempre na primeira pessoa e este caso real foi-me muito difícil porque as lágrimas caiam pela cara abaixo e mal via as teclas. Levantei-me várias vezes para respirar fundo.
Um dias destes irei ter com o chefe da equipe que salvou a minha filha e trazer o enorme dossier que está guardado para mim)
de Fatyly Junho /2008
Hoje está casada e deu-me um neto e uma neta!
segunda-feira, 6 de abril de 2026
NAMORO
Mandei-lhe uma carta em papel perfumado e com letra bonita eu disse ela tinha um
sorrir luminoso tão quente e gaiato como o sol de Novembro brincando de artista
nas acácias floridas espalhando diamantes na fímbria do mar e dando calor ao
sumo das mangas Sua pele macia - era sumaúma... Sua pele macia, da cor do jambo,
cheirando a rosas sua pele macia guardava as doçuras do corpo rijo tão rijo e
tão doce - como o maboque... Seus seios, laranjas - laranjas do Loje seus
dentes... - marfim... Mandei-lhe essa carta e ela disse que não. Mandei-lhe um
cartão que o amigo Maninho tipografou: "Por ti sofre o meu coração" Num canto -
SIM, noutro canto - NÃO E ela o canto do NÃO dobrou Mandei-lhe um recado pela
Zefa do Sete pedindo, rogando de joelhos no chão pela Senhora do Cabo, pela
Santa Ifigenia, me desse a ventura do seu namoro... E ela disse que não. Levei à
Avó Chica, quimbanda de fama a areia da marca que o seu pé deixou para que
fizesse um feitiço forte e seguro que nela nascesse um amor como o meu... E o
feitiço falhou. Esperei-a de tarde, à porta da fábrica, ofertei-lhe um colar e
um anel e um broche, paguei-lhe doces na calçada da Missão, ficamos num banco do
largo da Estátua, afaguei-lhe as mãos... falei-lhe de amor... e ela disse que
não. Andei barbudo, sujo e descalço, como um mona-ngamba. Procuraram por mim
"-Não viu...(ai, não viu...?) não viu Benjamim?" E perdido me deram no morro da
Samba. Para me distrair levaram-me ao baile do Sô Januario mas ela lá estava num
canto a rir contando o meu caso as moças mais lindas do Bairro Operário. Tocaram
uma rumba - dancei com ela e num passo maluco voamos na sala qual uma estrela
riscando o céu! E a malta gritou: "Aí Benjamim !" Olhei-a nos olhos - sorriu
para mim pedi-lhe um beijo - e ela disse que sim.
Viriato da Cruz (Porto
Amboim-Angola) de Fatyly
sexta-feira, 27 de março de 2026
VIDA BEM DURA
Já não me lembro da última vez que fui comer fora
Já não me lembro da última vez que comprei roupa
uns brincos, uns sapatos, uma carteira
Já não me lembro da última vez que fui ao cinema
revista, teatro, concerto,
Já não me lembro da última vez que fui...
mas espera lá...
lembro-me apenas
que tenho sido muito feliz!
de Fatyly
terça-feira, 24 de março de 2026
MÁGICO
Do alto da falésia a minha alma voa e mergulha nas águas límpidas de um mar
de esperança debruado com rendas de magia. Aconchego-me e adormeço embalada
num sonho feito de um sorriso!
FATYLY
sexta-feira, 20 de março de 2026
Planta-dos-mudos
Eu adoro flores e plantas, embora tenha mais paciência para as plantas
grandes e flores que nascem nos campos. Sempre se deram muito bem comigo e
planta pequena, sabe-se lá porquê quando arranjo, envaso, etc. elas crescem,
crescem, crescem! Quando trabalhava, os advogados(as) tinham nos seus
gabinetes algumas plantas que traziam. Na nossa sala também lá pusemos algumas
e eu como almoçava lá dentro o que levava de casa, no tempo que restava
tratava delas. Recordo que um dos advogados um dia trouxe uma planta pequenina
e pobre coitada quase morta. Na minha terra chamam "a planta dos mudos",
coincidente com a a atitude de muitos perante o mau feitio que lhe era
reconhecido. Não faço a mínima ideia onde é que ele a arranjou, trouxe terra e
um vaso maior e pediu-me para eu "lhe dar o calor da minha terra vermelha", ou
seja a testar-me para ver se eu pagaria da mesma forma como ele nos tratava,
né? Se ele tinha "escola" eu já tinha "universidade" (gargalhadas). Assim foi,
mas disse-lhe: Dr. o senhor sabe que as plantas gostam de alegria, simpatia,
respeito e carinho? Eu faço com muito gosto, como faço a todas as outras
plantas e flores, mas o senhor tem que colaborar para bem da pobrezinha e do
pessoal que o atura. Faça um esforço e verá que ela vai sobreviver. Ainda
recordo a gargalhada que ele deu, como a dizer: vai, vai!!! Só sei que a
danada arrebitou, rebentou por tudo que era ponta e do vaso passou para um
vasão e quando me vim embora deixei-a ficar num super vaso. Quem trabalhava
com ele até me disse: oh mulheri que fizeste ao X que ele mudou por completo?
Euuu? nadica de nada, quem o mudou foi "a planta dos mudos"! Eu mudei a planta
e esta mudou aquele rapaz. Há tempos fui lá visitar o pessoal que ainda ficou.
Fui ao gabinete cumprimentá-lo e fiquei pasma...porque a planta, já não é
planta, mais parece um enorme arbusto para gaúdio do pessoal. (a seiva desta
planta é bastante perigosa, nunca provei, mas dizem que provoca lesões graves
na boca quando não tratadas a tempo! Tive uma e foi a única que o meu gato não
tocou, já que tinha por hábito dar uma dentada quando eu trazia uma planta ou
flor) Fatyly
sábado, 14 de março de 2026
Luis Fernando Veríssimo
Acho a maior graça. Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...
Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.
Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.
Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.
E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem!
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo, faz muito bem! Você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde!
E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda!
Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna.
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca!
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor do que nada!
Luís Fernando Veríssimo
quarta-feira, 11 de março de 2026
O MESMO CENÁRIO
Deparei-me com esta foto e chorei!
Todos os países têm os seus militares,
homens ou mulheres que em nome
da sua pátria cumprem um dever.
Não me vou exceder nos prós e contras.
nas mazelas deixadas, se sim ou não.
Apenas, um desabafo meu.
Esta foto...
fez-me retroceder ao passado!
Eu vi o que muitos viram
Eu sofri o que muitos sofreram,
fardados ou não...
eram portugueses, eram angolanos
homens simples, simples homens
dando o último colinho a quem não resistiu
aos quais se aconchegavam num choro compulsivo!
A...mesma foto...
neste caso um americano tão menino,
tão fragilizado
dando o último aconchego a uma criança iraquiana!
A...mesma foto...
espalhadas por esse mundo fora
onde paga o justo pelo pecador!
Mas apesar de militares, são jovens,
com familiares sofrendo por eles
neste mundo de reinantes tão crápulas!
São afinal os nossos filhos,
que bem ou mal e na maioria das vezes
debaixo de drogas, tudo fazem!
A... mesma foto...
acolho-te no meu colo a ti soldado...
porque a morte já acolheu esse ser indefeso
e sabes porquê?
porque... ainda hoje tenho medo,
muito medo desse cenário!
Fatyly
Subscrever:
Comentários (Atom)




