terça-feira, 3 de março de 2026

SEM TITULO

Já fui árvore altaneira, De fundas raízes, frondosa. Já dei sombra, dei madeira, Consideraram-me a mais formosa. Mas veio um vento de Norte Um temporal negro, medonho Que me sacudiu tão forte, E me torceu num remoinho, Fazendo que visse o fim, anunciando a morte. Hoje, jazo nesta margem. Já sou só um tronco aberto. Apodrecendo pouco-a-pouco. E vou assistindo à passagem, Deste tempo "encoberto", Destas águas e deste povo.
Postado por Bartolomeu

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

DESAFIO DE ESPERANÇA SEMPRE POSITIVA

Na boca de muitos a palavra dócil tão falseada, que esmagam a frieza da preeminência de quem usa uma torrente de murmúrios como íman maléfico. A caminhada é dura e já longa e as coxas dão sinal de paragem. Sentada no chão, revejo traços de fragmentos de um inverno rigoroso que desaba num coração bombeado por sangue já tão desgastado. Afinal sou matéria...mas também sou paixão. Levanto-me num gesto rápido, solto risos afugentando possíveis invasores numa luta que não dou tréguas e grito: A vida é a melhor prosa feita de folhas diárias... coloridas e outras debotadas por lágrimas! E num "DESAFIO de esperança" o sol voltou a brilhar! Fatyly

domingo, 22 de fevereiro de 2026

QUEM ME DERA

Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada, E que para de onde veio volta depois Quase à noitinha pela mesma estrada. Eu não tinha que ter esperanças — tinha só que ter rodas ... A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco... Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco. Alberto Caeiro