segunda-feira, 18 de outubro de 2021

A Flor do Maracujá

 










Encontrando-me com um sertanejo
Perto de um pé de maracujá
Eu lhe perguntei:
Diga-me caro sertanejo
Porque razão nasce roxa
A flor do maracujá?
Ah, pois então eu lhi conto
A estória que ouvi contá
A razão pro que nasci roxa
A flor do maracujá
Maracujá já foi branco
Eu posso inté lhe ajurá
Mais branco qui caridadi
Mais brando do que o luá
Quando a flor brotava nele
Lá pros cunfim do sertão
Maracujá parecia
Um ninho de argodão
Mais um dia, há muito tempo
Num meis que inté num mi alembro
Si foi maio, si foi junho
Si foi janero ou dezembro
Nosso sinhô Jesus Cristo
Foi condenado a morrer
Numa cruis crucificado
Longe daqui como o quê
Pregaro cristo a martelo
E ao vê tamanha crueza
A natureza inteirinha
Pois-se a chorá di tristeza
Chorava nus campu
As foia, as ribera
Sabiá também chorava
Nos gaio a laranjera
E havia junto da cruis
Um pé de maracujá
Carregadinho de flor
Aos pé de nosso sinhô
I o sangue de Jesus Cristo
Sangui pisado de dô
Nus pé du maracujá
Tingia todas as flor
Eis aqui seu moço
A estória que eu vi contá
A razão porque nasce roxa
A flor do maracujá.

CATULO DA PAIXÃO CEARENSE

domingo, 17 de outubro de 2021

Jenny, a instalação que retirou 9 mil quilos de plástico do Pacífico (e provou que o oceano pode ser limpo)

 








Há quase dez anos Boyan Slat, anunciou que tinha uma ideia para retirar o plástico dos oceanos. Desde essa altura fundou a Ocean Cleanup, uma organização sem fins lucrativos que pretende remover 90% do plástico flutuante do oceano até 2040.

Apesar da meta muito ambiciosa, Slat tem feito de tudo para a cumprir. A sua organização, conta o Business Insider, lançou o seu primeiro dispositivo de captura de plástico em 2018, mas infelizmente acabou por não ter sucesso e partiu-se no oceano. Um ano mais tarde, outro modelo mais eficiente conseguiu recolher grandes quantidades de plástico, mas a Ocean Cleanup fez as contas e percebeu que precisaria de centenas desses modelos para atingir o seu objetivo.

Durante o verão a organização colocou todos os esforços na Jenny. Uma nova abordagem, um novo dispositivo e esperança renovada. Este dispositivo é composto por uma linha costeira flutuante que apanha o plástico como um braço gigante e o canaliza para uma rede em forma de funil.
Posteriormente duas embarcações vão trazendo essa corda através da água a cerca de 1,5 nós e a corrente do oceano empurra o lixo flutuante em direção à rede gigante.

No início de agosto, a equipe lançou a Jenny na Ilha de Lixo do Pacífico, sendo que na semana passada este dispositivo enfrentou o seu teste final enquanto a organização procurava determinar se poderia trazer grandes quantidades de plástico para a costa sem problemas. A Ocean Cleanup disse que o dispositivo transportou 9.000 kg de lixo para fora do Oceano Pacífico – prova de que a mancha de lixo poderia eventualmente ser limpa.

“Santa mãe de Deus”, indicava um tweet de Slat naquela tarde, acrescentando: “Tudo funcionou !!!”

Depois de trazido para a costa, o plástico é reciclado. Por enquanto, a Ocean Cleanup está a utilizar o plástico para fazer pares de óculos de sol que vende a cerca de 200 dólares, canalizando os lucros de volta para os esforços de limpeza. Eventualmente, a organização espera fazer parcerias com marcas de consumo para fazer mais produtos reciclados.

Slat estimou que a equipa precisaria de cerca de 10 Jennys para limpar 50% da Grande Mancha de Lixo do Pacífico em cinco anos.


LIDO AQUI


Em vez de gastarem milhões no turismo dos ou nos foguetões e armas que apliquem a fortuna que gastam em iniciativas como estas!!!

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Outono numa vida...

 










Manhã bem cedo. Abro a janela e senti frio. Aconcheguei a roupa e vejo que a paisagem mudou.
Oiço palavras dos “vendilhões do templo” num cenário tão triste para uma época ainda mais triste. Ora faz frio, ora faz calor e as árvores despem-se das suas vestes e a pouco e pouco para gáudio dos políticos, vejo o vergar de tantos seres perante a exaustão da luta diária sem tréguas.
Há o embarcar na propaganda maquiavélica de compra hoje e pague amanhã, num acumular de contas por pagar sem saberem como.
Há regalias para os velhos, para as crianças, para os estudantes, para os novos empresários, para tudo, mas quase tudo não passa do papel.
Interrogo-me como é possível ver que a depressão vai tomando conta de todos, numa caminhada corrosiva e silenciosa deitando por terra as árvores que seriam o futuro de amanhã.
Não é possível estar parada perante este cenário e nada fazer. 

Mas o que fazer?

Já sei, vou levantar um a um e se pelo menos convencer dez que tudo poderá ser diferente, sentir-me-ei gratificada.
Há tantos meios de fazer alguma coisa em prol de...
Há que saber que não é no café, na família, no emprego, nos vizinhos, na estrada, nos transportes públicos que se deve descarregar a nossa raiva, mas em pequenos actos diários que nos são impostos contra os quais não concordamos mas que silenciamos e que se pensares bem podem mover montanhas empedernidas.

Hoje não paguei num café o que por incompetência me exigiram pagar e educadamente ainda apresentei queixa. Ganhei sim senhora!

Mas há quem se cale e eu jamais me calarei.

Levanta-te por favor e dá cá a tua mão porque não é o Outono que te põe assim, mas o gelo que te imobilizou os neurónios.

Aconchego-te para ser aconchegada e vamos acreditar que o futuro será bem mais risonho.

Fecho a janela mas deixo sempre a porta aberta!

Fatyly - 6 de Outubro 2007 numa participação de escrita.

AINDA DIZEM QUE A HISTÓRIA NÂO SE REPETE?