
Rebobinando o passado, abri uma das gavetas mais dolorosas da minha vida: viver numa guerra civil. Passei coisas inimagináveis e sinceramente o que fazia para comer e dar de comer à minha filha, tudo servia...do capim à mandioca que nascia do nada...porque até as pequenas hortas eram pulverizadas pelas rajadas de metralhadoras. Tudo o que arranjava/arranjávamos era repartido pelos vizinhos...como dizia o brasileiro: acrescenta-se água no feijão!
Água havia nem que fosse da chuva. Nessa luta pela sobrevivência em que não ligamos nada ao matraquear do material bélico, viramos autómatos e não sei, diria talvez insensíveis a certos cenários onde se perde o medo anestesiado pelo silêncio. Não sei e ainda hoje não consigo entender a defesa que se ganha!
Só sei que tinha dinheiro na mão e nada, mas nada para comer versus comprar! Quando cheguei a Portugal olhava para as montras como um burro para um palácio e também não sei dizer a razão porque num curto espaço de tempo (2/3 anos) se perde a memória de bens alimentares que fizeram parte da minha vida.
Hoje deparo-me com um cenário inverso mas felizmente sem guerra, vivendo da minha magra reforma onde sempre houve e há prioridades fundamentais como a alimentação.
O que não acontece a muita gente cujas "prioridades" são bem diferentes das minhas, mas jamais critico.
Não entro na política nojenta que nos querem impingir e muito menos ouvir a aberração de telejornais que está a levar muita gente para o beco de depressões bem graves.
Sobrevivi a uma guerra e vou vencendo as batalhas das quais não posso fugir, com fé, esperança e sem me tirarem o sorriso do rosto, num trabalho interior que cada um deverá fazer o seu e esperar por melhores dias.
Sou assim e agora luto e ajudo a vencer a batalha do "medo e ansiedade", porque a minha neta mais velha vai ser operada no dia 15 ao angioma (remoção total por ser apenas cutâneo o que foi um alívio) que tem atrás da orelha. Não é urgente, e se houver casos urgentes com garotos mais novos, a dela será adiada por uns dias!
Acreditando no que acredito, será mesmo dia 15, sexta feira pelas 17horas e virá para casa na manhã de sábado. Vou buscar a mais nova à escola que dormirá aqui comigo e sábado lá estarei junto deles e livres da porra dos angiomas!!!!
Até lá irei buscar mais vezes as garotas, para que os pais possam compensar o dia D, e os avós servem para isso, não é? pois claro que sim!
Como dizia o meu falecido pai: minha filha, força aí no galheteiro que vai correr tudo bem!
Obrigado por teres lido o meu desabafo e "já de gaveta fechada" recebe o meu abraço sincero e perdoem-me se não estiver muito presente!










