Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia!. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia!. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 14 de março de 2025

PEGADAS NA AREIA - Margaret Fishback Powers



 





PEGADAS NA AREIA
Corciolli
O músico e compositor Corciolli é um nome bem conhecido da música instrumental brasileira, um dos pioneiros no Brasil a introduzir o conceito de bem estar e qualidade de vida associados à música. Para o artista, a música é um canal de comunicação espiritual com as pessoas, com nosso Eu interior e com Deus...

Inspirado no famoso poema cristão “Pegadas na Areia”, Corciolli desenvolveu um projeto para a Azul Music, elaborando um CD com músicas que pudessem transmitir o sentimento sublime do poema, que há mais de 40 anos, reconforta milhares de pessoas mundo afora.

Qual foi sua surpresa ao descobrir que “Pegadas na Areia” não era um poema de autor desconhecido como amplamente divulgado, mas escrito em 1964 pela canadense Margaret Fishback Powers. Somente no final de 2004 que o livro homônimo seria lançado no Brasil, e por essa razão, a autora estava aqui para uma série de palestras e compromissos de divulgação.

Agendado um encontro entre o músico e a escritora, ficou claro que o projeto se tornara muito especial, com um sentido profundo e “magicamente” construído pelos desígnios do destino... Margaret contou à Corciolli que escrevera o poema para o seu marido, Paul Powers, na noite em que ele pediu sua mão em casamento; Paul abriu o coração e lhe contou a história de sua vida, marcada por profundos sofrimentos e privações. O casal andava nas areias da praia, e ao olhar para trás, Margaret visualizou o par de pegadas... Mergulhada em um turbilhão de sentimentos durante a madrugada, Margaret escreveu para Paul, as sublimes linhas que ganharam o mundo em sua simplicidade e beleza.

Sensibilizado após este encontro, Corciolli passou a desenvolver os temas musicais baseados em trechos do poema. Criando sensíveis melodias no piano com uma base de teclados orquestrais, o músico foi registrando as composições em tempo real, de forma espontânea, sem gravações posteriores. Dessa forma, transparece a sintonia inspirada de Corciolli, sem interferências ou ajustes planejados, apenas um fluir de sensações... Os temas musicais transportam o ouvinte ao universo do poema, proporcionando sentimentos de esperança e fé. Uma experiência marcante na carreira do músico como uma conversa espiritual, com tudo o que nos reconforta e proporciona a força necessária para irmos em frente, superando as dificuldades...

http://www.azulmusic.com.br


Pegadas na Areia
Sonhei que estava caminhando na praia
juntamente com Deus.
E revi, espelhado no céu,
todos os dias da minha vida.
E em cada dia vivido,
apareciam na areia, duas pegadas :
as minhas e as d’Ele.
No entanto, de quando em quando,
vi que havia apenas as minhas pegadas,
e isso precisamente
nos dias mais difíceis da minha vida.

Então perguntei a Deus:
"Senhor, eu quis seguir-Te,
e Tu prometeste ficar sempre comigo.
Porque deixaste-me sozinho,
logo nos momentos mais difíceis?

Ao que Ele respondeu:
"Meu filho, Eu te amo e nunca te abandonei.
Os dias em que viste só um par de pegadas na areia
são precisamente aqueles
em que Eu te levei nos meus braços".

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Luís Fernando Verissimo

 








Acho a maior graça. Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...


Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.

Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.

Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.
E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem!
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo, faz muito bem! Você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde!
E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda!
Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna.
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca!
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor do que nada!

Luís Fernando Veríssimo

domingo, 16 de junho de 2024

PRELÚDIO DE ALDA LARA

 












Prelúdio

Pela estrada desce a noite

Mãe-Negra, desce com ela...

 

Nem buganvílias vermelhas,

nem vestidinhos de folhos,

nem brincadeiras de guizos,

nas suas mãos apertadas.

 

Só duas lágrimas grossas,

em duas faces cansadas.

 

Mãe-Negra tem voz de vento,

voz de silêncio batendo

nas folhas do cajueiro...

 

Tem voz de noite, descendo,

de mansinho, pela estrada...

 

Que é feito desses meninos

que gostava de embalar?...

Que é feito desses meninos

que ela ajudou a criar?...

 

Quem ouve agora as histórias

que costumava contar?...

 

Mãe-Negra não sabe nada...

Mas ai de quem sabe tudo,

como eu sei tudo

Mãe-Negra!...

 

É que os meninos cresceram,

e esqueceram

as histórias

que costumavas contar...

Muitos partiram pra longe,

quem sabe se hão-de voltar!...

 

Só tu ficaste esperando,

mãos cruzadas no regaço,

bem quieta bem calada.

 

É a tua a voz deste vento,

desta saudade descendo,

de mansinho pela estrada...

ALDA LARA

sábado, 9 de dezembro de 2023

Manhã para ser feliz!

 









Esta é uma manhã para ser feliz
em um lugar, de algum modo,
é uma manhã para ser feliz...

Esta é uma manhã para dois, para dois juntos
abraçados e tontos, num remoinho
não como nós, eu aqui, diante do sol, das árvores,
de tudo envergonhado porque estou sozinho...

Esta é uma manhã que me fala de ti, nas nuvens,
na transparência do ar,
neste azul do céu, imaculado,
na beleza das coisas tocadas de sonho
e imaturidade...

Uma manhã de festa
para ser feliz de verdade!
Esta é uma manhã
para te Ter ao meu lado...

Quando Deus fez uma manhã como esta
estava com certeza apaixonado...

J.G. de Araujo Jorge
in Espera- 1960


quinta-feira, 23 de novembro de 2023

BALADA DA NEVE

 








Batem leve, levemente,
Como quem chama por mim...
Será chuva? Será gente?
Gente não é certamente
E a chuva não bate assim...

É talvez a ventania;
Mas há pouco, há poucochinho,
Nem uma agulha bulia
Na quieta melancolia
Dos pinheiros do caminho...
Quem bate assim levemente,
Com tão estranha leveza
Que mal se ouve, mal se sente?...
Não é chuva, nem é gente,
Nem é vento, com certeza.
Fui ver a neve caía,
Do azul cinzento do céu,
Branca e leve, branca e fria...
-Há quanto tempo a não via!
E que saudade, Deus meu!
Olho-a através da vidraça
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
Os passos imprime e traça
Na brancura do caminho...
Fico olhando esses sinais
Da pobre gente que avança,
E noto, por entre os mais,
Os traços miniaturais
Duns pezitos de criança...
E descalcinhos, doridos...

E descalcinhos, doridos...
A neve deixa inda vê-los,
Primeiro bem definidos ,
-Depois em sulcos compridos,
Porque não podia ergue-los
Que quem já é pecador
Sofra tormentos... enfim!...
Mas as crianças, Senhor,
Porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...

E uma infinita tristeza,
Uma funda turbação
Entra em mim, fica em mim presa,
cai neve na natureza...
E cai no meu coração.

AUGUSTO GIL

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

Ondjaki - UM POETA E ESCRITOR QUE GOSTO MUITO!

 














borboleta é um ser irrequieto.
para vestes usa pólen.
tem um cheiro colorido
e babas de amizade.
descola por ventos
e facilmente aterriza em sonhos.
borboleta tem correspondência directa
com a palavra alma.
para existir usa liberdades.
desconhece o som da tristeza
embora saiba afogá-la.
nega maquilhagens isentas
de materiais cósmicos. como digo:
pó-de-lua, lápis solar
castanho-raiz, cinzento-nuvem
borboleta dispõe de intimidades com arcos íris
a ponto de cócegas mútuas.
para beijar amigos e vidas ela usa os olhos.
borboleta é um ser
de misteriosos nadas.


Sobre Ondjaki
Ndalu de Almeida (1977 -), mais conhecido como Ondjaki, é um escritor angolano, vencedor de várias premiações como o Prêmio Jabuti de Literatura (2010) e o Prémio José Saramago (2013). O autor já publicou inúmeras obras de contos, poesia e romance, entre as quais se destacam "Os da minha rua" (2007) e "Os Transparentes" (2012).

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Ponto d'um horizonte

 









A vida vai correndo no seu toc-toc sem dó nem piedade
a tristeza impera na retina cansada de quem t'observa
denuncias-te numa dor em belas palavras, verdade?
tristemente não passas d'um barco sempre à deriva!

Tu que agora me lês, sim tu, talvez até tu, desatino
deverias pensar que o mundo é um bem de todos
no teu carro em alta velocidade, em grande estilo
és dono do mundo fazendo d'outros meros tolos!
-
Ah...mas a estrada da vida nunca é totalmente lisa
toda ela é feita de buracos, pedras, altos e baixos
no dia em que sentires a dor no dobrar dum'esquina
verás e sentirás que afinal também és dos "lixos"!
-
"Nunca mais! Nunca mais!
Tempo da minha descuidada meninice, nunca mais!...
Era bom aquele tempo
era boa a vida a fugir da escola a trepar aos cajueiros
a roubar os doceiros e as quitandeiras
às caçambulas:
Atresa! Ninguém! Ninguém!
tinha sabor emocionante de aventura
as fugas aos polícias
às velhas dos quintais que pulávamos
Vamos fazer escolha, vamos fazer escolha
... e a gente fazia um desafio..."
-
Estou farta de sentir este trilhar arrepiante
vai-se a mocidade e com ela o seu brilho
ao teres feito tudo num acto descartante
perdestes afinal o teu maior "desafio"!

"António Jacinto (Angola)"

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

NAMORO




 






Imagem do Google

🌻🌸🌻🌸🌻🌸🌻🌸🌻🌸🌻🌸🌻🌸🌻🌸🌸🌼

Namoro


Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
e com letra bonita eu disse ela tinha
um sorrir luminoso tão quente e gaiato
como o sol de Novembro brincando
de artista nas acácias floridas
espalhando diamantes na fímbria do mar
e dando calor ao sumo das mangas

Sua pele macia - era sumaúma...
Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas
sua pele macia guardava as doçuras do corpo rijo
tão rijo e tão doce - como o maboque...
Seus seios, laranjas - laranjas do Loje
seus dentes... - marfim...
Mandei-lhe essa carta
e ela disse que não.

Mandei-lhe um cartão
que o amigo Maninho tipografou:
"Por ti sofre o meu coração"
Num canto - SIM, noutro canto - NÃO
E ela o canto do NÃO dobrou

Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete
pedindo, rogando de joelhos no chão
pela Senhora do Cabo, pela Santa Ifigenia,
me desse a ventura do seu namoro...
E ela disse que não.

Levei à Avó Chica, quimbanda de fama
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço forte e seguro
que nela nascesse um amor como o meu...
E o feitiço falhou.

Esperei-a de tarde, à porta da fábrica,
ofertei-lhe um colar e um anel e um broche,
paguei-lhe doces na calçada da Missão,
ficamos num banco do largo da Estátua,
afaguei-lhe as mãos...
falei-lhe de amor... e ela disse que não.

Andei barbudo, sujo e descalço,
como um mona-ngamba.
Procuraram por mim
"-Não viu...(ai, não viu...?) não viu Benjamim?"
E perdido me deram no morro da Samba.

Para me distrair
levaram-me ao baile do Sô Januario
mas ela lá estava num canto a rir
contando o meu caso
as moças mais lindas do Bairro Operário.

Tocaram uma rumba - dancei com ela
e num passo maluco voamos na sala
qual uma estrela riscando o céu!
E a malta gritou: "Aí Benjamim !"
Olhei-a nos olhos - sorriu para mim
pedi-lhe um beijo - e ela disse que sim.


Viriato da Cruz (Porto Amboim-Angola)

domingo, 9 de julho de 2023

"Sorriso audível das folhas"













 Não és mais que a brisa ali
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.

Ri e olha de repente
Para afins de não olhar
Para onde nas folhas sente
O som do vento a passar
Tudo é vento e disfarçar.

Mas o olhar de estar olhando
Olha não olha, voltou
E estamos os dois falando
O que se não conversou
Isto acaba ou começou?

Fernando Pessoa

sábado, 18 de fevereiro de 2023

Essa Palavra Margem - Ondjaki

 












quem primeiro domesticou a palavra margem foi Guimarães Rosa.
Depois foi invadido por marés de margens...

depois pode-se apontar
margem de rio
margem da página
margem do momento
[ou momento à margem]
margem-só
terceira margem
[do rio, das pessoas, do amor]
poeta à margem
poesia das margens
margem de gente
à margem da vida
vidas sem margem
ficas sem margem
na margem da vida
margem de vinda
margem de ida
margens de chegada
[com canoas, jangadas, embarcações]
margem adiada
margem odiada
margens dos cegos, dos gagos
a margem dos que estão
à margem dos que não estão
margem da liberdade
[de pisar o chão]
à margem da verdade
margem da lágrima
minha margem
na margem
do meu poema.
[a terceira margem da pessoa – é o outro...?]
Ondjaki
(poeta e escritor nasceu em 1977 em Luanda e é licenciado em sociologia)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

ESCRITO POR UMA CRIANÇA ANGOLANA (NOME DESCONHECIDO)

 








Quando eu nasci, era preto;
Quando cresci, era preto;
Quando pego sol, fico preto;
Quando sinto frio, continuo preto.
Quando estou assustado, também fico preto;
Quando estou doente, preto;
E, quando eu morrer, continuarei preto!
E você, caro branco;
Quando nasce, você é rosa;
Quando cresce, você é branco;
Quando você pega sol, fica vermelho;
Quando sente frio, você fica roxo;
Quando você se assusta, fica amarelo;
Quando você está doente, fica verde;
Quando você morrer, você ficará cinzento;
E você vem me chamar de homem de cor?

(Imagem do GOOGLE)

domingo, 24 de julho de 2022

António Gedeão - Poema de domingo

Do GOOGLE

Aos domingos as ruas estão desertas

e parecem mais largas.
Ausentaram-se os homens à procura
de outros novos cansaços que os descansem.
Seu livre arbítrio alegremente os força
a fazerem o mesmo que fizeram
os outros que foram fazer o que eles fazem.
E assim as ruas ficaram mais largas,
o ar mais limpo, o sol mais descoberto.
Ficaram os bêbados com mais espaço para trocarem as pernas
e espetarem o ventre e alargarem os braços
no amplexo de amor que só eles conhecem.

O olhar aberto às largas perspectivas
difunde-se e trespassa
os sucessivos, transparentes planos.

Um cão vadio sem pressas e sem medos
fareja o contentor tombado no passeio.

É domingo.
E aos domingos as árvores crescem na cidade,
e os pássaros, julgando-se no campo, desfazem-se
a cantar empoleirados neles.
Tudo volta ao princípio.

E ao princípio o lixo do contentor cheira ao estrume das vacas
e o asfalto da rua corre sem sobressaltos por entre as pedras
levando consigo a imagem das flores amarelas do tojo,
enquanto o transeunte,
no deslumbramento do encontro inesperado,
eleva a mão e acena
para o passeio fronteiro onde não vai ninguém.

António Gedeão

segunda-feira, 4 de julho de 2022

A Mulher Cão

 










(Sobre o quadro de Paula Rego)

Ela acendeu a brasa do fogão
anos e anos a fio.Esfregou o soalho
lavou a roupa e os vidros
da janela costurou bainhas
descosidas e levou toalhas a cheirar
a rosmaninho à senhora do andar
de cima.

Foi ao quintal buscar hortelã
para a canja e adormeceu ao som
das gargalhadas felizes dos meninos
hoje já todos engenheiros
com a Graça do Senhor.

Agora está atada ao côncavo
da terra por atilhos
grossos. Ladra à lua
e tudo nela
é carne e sangue.

Morde a mão
e dança a valsa
sobre o chão confuso
de algum sonho diluído lá no longe
nos botões do maestro
do coreto aos domingos e feriados.

Ela é grossa
e ladra à lua.
Sente o corpo a crepitar
e rasga o coração.

Inesperadamente
entre coágulos de sangue
fala línguas
que nunca ninguém lhe ensinou.

Está atada
à sangrenta forja
das gramáticas lunares e procura
uma palavra
um nome mesmo que obscuro
e difícil de entender.

É uma mulher grossa
e no côncavo do corpo
fala línguas
sem sentido.

Deixou secar os coentros
a salsa e a hortelã.

Chama-se cão e ladra à lua.

Vive atada
às chamas que a consomem.

José Fanha, in “Marinheiro de outras luas”